
Camisa do Grêmio de Esportes Maringá; com ela, Itamar Bellasalma fez o gol do título paranaense no empate em 1 a 1, em 1977, no estádio Couto Pereira. Camisa do Santos Futebol Clube autografada pelo Rei Pelé com dedicatória ao Museu Esportivo de Maringá.
Duas crônicas de Antonio Roberto De Paula que contam como essas relíquias foram parar no MEM.
A camisa do Itamar (7 de maio de 2017)
Uma história rápida (?) e emocionante (pelo menos para mim). Uns dias atrás, o eterno artilheiro do Grêmio de Esportes Maringá, Itamar Bellasalma, meu amigo, autor do gol do título do clube maringaense em 1977, me ligou:
– “Sabe o professor Celso?
– Sei, sim
– Ele vem pra Maringá e quer se encontrar comigo e com você. A camisa do Grêmio que eu dei pra ele, ele quer dar pro Museu Esportivo.”
Fiquei emocionado. Uma grande relíquia da história do futebol de Maringá estava chegando às minhas mãos, trazida pelo Celso Corrêa, amigo pessoal do Itamar, professor de psicologia, um apaixonado pelo esporte. Uma relíquia guardada por 40 anos com todo esmero e carinho.
Fiquei quieto sobre o presente, não comentei com quase ninguém, vai que ele se arrepende. Que nada! Celso mandou mensagem na semana passada dizendo que estaria em Maringá no sábado (6) e que tinha um presente pra mim. Ele mora em São Manuel, no estado de São Paulo. Encontro marcado no Hotel Bristol, às 8 da manhã, onde está a Exposição Maringá Futebol Memória. Tudo certo. Um imprevisto. Eu não poderia, tinha uma reunião às 9 que eu fiquei sabendo depois de confirmar com o Celso. Ele, compreensivamente, concordou para as 11 horas.
Cheguei no horário. Lá estava ele com sua esposa Romilda e um pacote. Logo chegou o Itamar. Brincadeiras, cafezinho, bate-papo, o Helton Bertoni, do hotel, pegou meu celular para fazer fotos. Fomos desembrulhando o pacote. O Celso colocou em um quadro entre vidros, possibilitando ver frente e atrás, a camisa do Itamar, a número 9, com a qual ele fez o gol de falta no empate em Curitiba, no Couto Pereira, dia 2 de outubro de 1977. Difícil sair lágrima daqui, mas abracei o Celso com grande emoção, agradecendo a confiança, abracei a Romilda, abracei o Itamar como se estivesse abraçando o time todo daquela épica conquista que acompanhei apaixonadamente junto com os amigos Nivaldo Gongora Verri, Mario Recco, Miguel Grillo, Edson Cemensati e Edson Luiz Matias. Voltamos para aqueles dias naquela conversa. O Juninho Palpite apareceu, fez fotos na calçada com a gente. O Ananias Rodrigues também. O gerente do Bristol, o Wilian Galina, chegou pra saber que novidade era aquela. Fizemos mais fotos, dei o livro “Futebol – Recortes de uma paixão” para o Celso e para o Itamar, abracei todo mundo de novo. A Romilda disse que gostou do título do livro. Um carro passou e buzinou. Certeza que era para o Itamar. Em qualquer lugar de Maringá, alguém o reconhece. Saí carregando um símbolo da história do futebol de Maringá. Entrei no carro agradecido a Deus e ao mesmo tempo pensando na responsabilidade que tem aumentado cada dia com as peças históricas doadas pelos amigos para o Museu Esportivo. Como disse para o Celso na oportunidade, repito agora convictamente: assim como as demais camisas, as faixas, livros, jornais e fotografias, a histórica camisa 9 do Itamar vai estar sempre em boas mãos. No carro, enquanto ia buscar a Simone para almoçar em casa, ouvia o Fala Mansa.Junto com o sorriso, uma feliz lágrima parecia querer chegar. Obrigado, Celso! Obrigado, Itamar! Obrigado, Amigos do Museu Esportivo.
“Se um dia alguém mandou
Ser o que sou e o que gostar
Não sei quem sou e vou mudar
Pra ser aquilo que eu sempre quis
E se acaso você diz
Que sonha um dia em ser feliz
Vê se fala sério
Pra que chorar sua mágoa
Se afogando em agonia
Contra tempestade em copo d’água
Dance o xote da alegria”
(O querido amigo Celso Corrêa faleceu no dia 26 de agosto de 2022, na cidade paulista de São Manuel, vítima de um infarto.)

A camisa do Rei Pelé (21 de julho de 2020)
Amigo do MEM, João Alavarse, pediu para seu amigo Negreiros, que acionou Manoel Maria e a camisa chegou até Pelé, que escreveu: “Ao Museu Esportivo de Maringá grande abraço Pelé”.
Em março de 2020, tive uma ideia. O Rei Pelé, o maior jogador de todos os tempos, está bem representado no Museu Esportivo de Maringá com fotos, revistas, livros e até com duas flâmulas santistas autografadas por ele: uma, doada em 2018 pelo amigo Serginho Sakae, e outra, em 2019, pelo amigo João Alavarse. Mas avaliei ser importante se tivéssemos uma peça assinada por Edson Arantes do Nascimento com dedicatória ao Museu Esportivo de Maringá: uma camisa! A pessoa indicada para a tarefa era o generoso amigo João Alavarse, que não conhece o Pelé, mas tem muitos amigos em Santos.
Pois então falei com ele se seria possível. Ele assumiu a incumbência como se fosse uma missão. Me recordo que brinquei: “Passo a bola pra você, mas se não der pra fazer o gol, sem problema.” A tentativa valeria a pena. Em maio, trocando mensagens pelo celular sobre assuntos relacionados ao MEM, João informou: “Nosso projeto de camisa dedicada e autografada pelo Rei ao Museu está em andamento.” Agradeci, mas compreendi que, devido à pandemia, tinha ficado complicado algum amigo do João ou algum amigo do amigo visitar o Rei e conseguir o autógrafo com a dedicatória. Continuamos trocando mensagens e não comentamos mais sobre a “missão” até o dia 14 de julho.
Neste dia, ele escreveu: “Olá Amigo De Paula, boa noite. Desejo que você e sua abençoada família estejam bem. Há algum tempo você me conferiu a missão de conseguir uma camisa autografada e dedicada ao nosso Museu. Te informo que a camisa está a caminho. Já foi postada no Correio. Acho que em uns dez dias estará comigo. Depois te conto a história toda. Um grande abraço, amigo!”. Fiquei exultante, agradeci e guardei segredo. Quase. Contei só para a minha mulher Simone Labegalini e para o meu filho Guilherme Tadeu. E ficamos aguardando.
No dia 21 de julho de 2020, terça-feira, chegou a camisa. Pedi para que João fizesse uma foto com ela para a divulgação no site do MEM e nas redes sociais. A missão foi cumprida graças à rede de contatos do querido amigo. João é amigo de quase toda a velha guarda vitoriosa do Santos Futebol Clube, aqueles companheiros históricos de Pelé nos anos 1960 e 70, ídolos eternos do clube da Vila Belmiro. Dois deles, o meio-campista Negreiros e o ponta direita Manoel Maria, foram os artífices do plano de conseguir uma camisa autografada pelo Rei Pelé para o Museu Esportivo de Maringá.
João Alavarse conta como foi:
”Sobre a epopeia da dedicatória na camisa do Rei preciso fazer um certo preâmbulo. Tenho com o Negreiros (Walter Ferraz de Negreiros), que foi multicampeão pelo Santos e, aqui no Paraná, pelo Coritiba, uma grande amizade, que se expande pelas famílias de ambos. Então, quando De Paula me convidou ao desafio de conseguirmos a camisa com dedicatória, pensei que, se alguém poderia nos ajudar seria o Negreiros. Falei com ele a respeito do assunto, demonstrei importância do nosso Museu para a memória do esporte e em especial para a memória do futebol. Ele topou o desafio na hora, sem deixar de ponderar que não seria algo tão simples assim. O acesso ao Rei é bastante restrito. Passados alguns dias deste contato, ele me ligou da Vila Belmiro, estava na loja do Santos para comprar a camisa que seria autografada. Conversamos sobre as camisas e ele comprou aquela que lhe pareceu mais apropriada para a finalidade. Pois bem, agora era partir para a missão. E aí entra outro personagem na nossa história. Uma pessoa com acesso permanente com o Rei: Manoel Maria, ponta direita do Santos na segunda metade dos anos 1960. Então, na sexta-feira, dia 10 de julho, o Manoel Maria vai até o Guarujá, praia Pernambuco, onde o Rei mora, e retorna com a missão cumprida, entregando a camisa de volta ao Negreiros! Este por sua vez me envia a relíquia pelo Correio. Passados alguns dias de muita ansiedade, finalmente, temos o nosso troféu em mãos. Fico imensamente feliz em contribuir com nosso Museu, com a história do futebol brasileiro, com a memória gloriosa do meu Santos e também celebrar aquele que foi o maior jogador de futebol de todos os tempos! Agora só falta passar a pandemia que estamos vivendo para que a relíquia possa ser exposta e admirada! Mas agora é com o amigo De Paula!”
Agora, temos a relíquia. Agora, agradecimentos ao João Alavarse, ao Negreiros, que conheci em Curitiba, no dia 1º de outubro de 2018, na festa da Confraria da Bola, convidado que fui pelo amigo Reginaldo Aracheski; agradecimentos ao Manoel Maria e ao maior jogador da história do futebol mundial que, na camisa oficial do seu clube, fez a dedicatória ao Museu Esportivo de Maringá e autografou: “Ao Museu Esportivo de Maringá grande abraço Pelé”. Enquanto vivemos a expectativa pelo fim da pandemia, vamos imaginando como será o encontro dos amigos do MEM para receber a histórica peça do amigo João Alavarse. Se fosse um jogo, narraria assim: “Passei a bola para o João, que esticou para Negreiros, que lançou para Manoel Maria e daí para Pelé, o Rei. Golaço do time dos amigos do Museu Esportivo de Maringá!
