Julia Vitória Godinho é uma jovem poeta com admirável maturidade para brincar (e falando sério) com as palavras num vai-e-vem de sentimentos. Seus dois zines “Pacífico – Fossa das Marianas”, de 2025, e “Clareira – O que encontro aqui?”, de 2026, são manifestações de amor, paixão, perdas e encontros. Ela nos presenteou, a mim e à Simone, minha esposa, com os dois zines. Foi no dia 31 de janeiro de 2026, no Museu Esportivo de Maringá, por ocasião da visita do Joseval Peixoto, ícone do rádio esportivo brasileiro, e do encontro dos amigos corintianos. Ela esteve no MEM em companhia do seu pai Mario Gabriel Godinho, o Bié, amigo de longa data, e da sua irmã Maria Gabriela.
Voltando aos zines. Com sutileza para contar segredos, desejos e decepções, Julia desfila seu cotidiano em páginas com ilustrações autorais, ligando sentimentos com fatos e coisas do seu ambiente. É o prosaico atingindo um sentido maior. As metáforas e o jogo de palavras, que fazem a diferença entre os poetas, são eficazmente construídos. Comparando seus dois trabalhos, constata-se ligações, mas no segundo ela está mais segura e com mais ousadia. Metaforicamente, no primeiro ela abre a porta para entrar enquanto que no segundo, Julia se instala na casa. Um coração exposto com amores e dores. É a poesia pedindo passagem. Sucesso para a jovem poeta! Nous avons trouvé un poète.
(Júlia e quem ler ou leu seu zine “Clareira” vão entender o porquê da citação em francês)
